Mario Vargas Lllosa me fascinou desde o primeiro momento que eu o li. A aparente contradição entre sua pessoa e seus livros se apresentou como um enigma a ser decifrado: a contradição entre sua posição e atuação politica e os temas de sua escrita. Como seu conservadorismo podia se aliar aos temas mais caros à esquerda: crítica ao colonialismo (O sonho do Celta), ao exército (Palomino Molero), à discriminação social (Palomino Molero) e racial, ao massacre de Canudos (Guerra do Fim do mundo)?
Contudo, ao terminar de ler a primeira parte do Sonho do Celta (colonialismo no congo belga), parte do fascínio, assim como parte do enigma se desfizeram.
Explico melhor: Em que termos se dá a crítica do colonialismo? Roger Casement, o herói aventureiro do livro, vai para o Congo Belga. Ele está totalmente iludido com a colonização, segundo palavras do personagem: iludido pelos três "C", cristianismo, comércio e civilização. Ao chegar no Congo e ajudar a implantar o sistema colonial, ele vê que o empreendimento toma um sentido bem diverso. Um quarto C guia todo o processo: a Cobiça. Trata-se de explorar e escravizar o Congo, extrair cada gota da seiva que permite produzir a borracha e cada gota do sangue dos congoleses no trabalho escravo de extração.
Contudo, a astúcia de Vargas Llosa falha e todo seu conservadorismo emerge. Afinal de contas, os três C do início NÃO são questionados. Uma colonização justa surge como possibilidade: A colonização civilizadora, na qual cristianismo, capitalismo e cultura européia serão ensinados aos nativos. Em nenhum momento a violência da colonização é abordada em toda sua profundidade, apenas suas escamas mais superficiais (escravidão, violência, exploração) são tocadas, as escamas mais profundas e sutis desse processo não são questionadas: É justo sufocar as religiões africanas em prol do cristianismo? É justo submeter as tribos as relações de comércio capitalista? É justo trocar a vida tradicional das comunidades pela vida europeia?
Talvez Roger Casement não pudesse ter clareza das mazelas do capitalismo, do cristianismo e da civilização européia em 1902, mas Vargas Llosa sabe muito bem que existe uma crise, seja da consciência européia (seus valores e civilização), seja do capitalismo, seja da igreja.
Falar de colonização é fácil, contudo defender uma colonização civilizadora e modernizadora é muito difícil.
contas de vidro
terça-feira, 3 de abril de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
o amanuense Belmiro
Ação e prática.
Gostaria de fazer algumas reflexões sobre a relação entre ação e pensamento no livro o amanuense Belmiro de Ciro dos anjos.
O livro: O Amanuense Belmiro é um livro no qual o funcionário público Belmiro Borba decide narrar sua vida. Nessa narrativa fica evidente o contraste entre a vida interna e a vida externa do personagem.
Os personagens: Belmiro, o burocrata poeta; Silviano, filósofo protofascista; Redelvim, agitador anarquista; Jandira, comunista, mulher emancipada; Florêncio, pequeno burguês. Incrivelmente, eles formam o círculo intelectual da cidade e representam as forças sociais e políticas que desastradamente vão consolidar a ditadura de Getúlio em 1938.
O contexto: Minas gerais em 1935, golpe comunista. Getúlio usou o golpe como pretexto para cancelar às eleições de 1937 e se consolidou ditador.
Redelvim é preso, apesar de não ser um personagem de importância no golpe. Silviano vai visitá-lo na cadeia, ao sair da visita afirma: Com esse revolucionário aí o Brasil está salvo, pois: "Louco, não tem senso filosófico, nem senso histórico. Vai pela cabeça desse maluco de Marx! Esqueceu-se que Marx saiu de Hegel e de que Hegel saiu de Kant! E que em Kant a gente encontra de tudo, a favor e contra (nota minha: antinomias da razão)"
Silviano é um filósofo pedante e nefelibata. Para ele, entender a história da filosofia e todas as minúcias e raciocínios que levaram de Kant à Marx é mais importante e prévio à qualquer tipo de agitação política. Para Redelvim, a ação política e a agitação são mais importantes que qualquer minúcia filosófica. Velha dicotomia entra teoria e prática. Falsa dicotomia, pois o pensamento verdadeiro é ação que transforma o mundo e a ação verdadeira é pensamento que entende a realidade (Heidegger, carta sobre o humanismo).
Contudo, os personagens do livro parecem estar aprisionados nessa dicotomia. Belmiro, o poeta lirico e pensador literário tem uma vida medíocre, seu pensamento não consegue alcançar e transformar a realidade, ele não age, apenas pensa. Redelvim, o agitador é o suporte de bordões e dogmas políticos, ele não pensa, apenas age. Silviano, pensador nefelibata, o filósofo pedante, que despreza às massas (os filistinos), debate apaixonadamente o ceticismo de Pascal com um tomista, entrega-se ao que chama problema faústico (no qual, o amor é sufocado pelo intelecto), tem casos extraconjugais com o pseudônimo Aristóteles de Stagira. Mas, em nenhum momento parece se importar um pouco que seja com a situação política e os importantes acontecimentos do ano de 1935, ele é o filósofo da torre de marfim.
Belmiro se revolta pelo lirismo, mas seu lirismo é uma paixão inútil, ele não tem efeito prático sobre os acontecimentos ou sobre o mundo. Termina o livro citando Drummond: “mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração”. O eu é maior que o mundo, o diário de Belmiro é mais importante que o jornal que narra a vida política do Brasil. O amanuense está isolado da história, contudo, a história arromba a porta de Belmiro...
Redelvim recebeu alguns pacotes de livros subversivos por meio de Belmiro, esse não sabia o conteúdo dos pacotes. Belmiro é preso e passa uma noite na cadeia. Alguns policiais vão buscar provas na casa de Belmiro e encontram seu diário (o livro). O Delegado lê o diário e inocenta Belmiro, o diário deixa claro toda a alienação política e toda a falta de talento para qualquer ação. Em um dos trechos mais engraçados do livro, o delegado afirma: “Bem... Bem... Já conversamos bastante. O senhor pode retirar-se. Pedimos-lhe desculpas pelo equivoco. Por último, um conselho, se me permite... Seu diário me interessou. Noto, porém, que o senhor é excessivamente sentimental e tímido. Veja se fica mais direto na questão da... (moça)”
Belmiro tinha um amor platônico por uma jovem que vislumbrou durante uma festa de carnaval. No diário, ele narrou todo seu amor platônico, mas em nenhum momento do livro, ele foi capaz de tomar qualquer atitude para conquistar a moça. O lirismo de Belmiro, sua vida interior é tão pungente e forte, quanto é fraca e medíocre sua vida exterior e sua ação no mundo. Belmiro não foi capaz nem sequer de dizer “oi” para sua amada, quanto mais de fazer uma revolução comunista no Brasil. O delegado teve toda a razão, Belmiro é absolutamente inofensivo quando se trata de agir, nesse ponto do livro, lirismo e ação política se encontram, um homem que vive no sonho do seu diário, não consegue viver no mundo real.
sábado, 14 de janeiro de 2012
A regra e a exceção
A recente agressão ocorrida no prédio do DCE da USP coloca uma importante questão sobre a atuação da polícia: a arbitrariedade policial é regra ou exceção?
Nos diversos meios de comunicação, a agressão policial foi mostrada como um desvio de um policial emocionalmente desequilibrado. Mas, se formos verificar como são feitas as abordagens policiais na periferia, poderemos verificar que a arbitrariedade e violência são, de fato, as verdadeiras normas da conduta policial. Existe uma palavra para esse procedimento: "esculacho". No entanto, na maioria das vezes essa arbitrariedade é cometida contra os setores desprovidos de voz e de importância na sociedade, os pobres, os negros e os usuários de crack (por exemplo, operação cracolândia).
O policial que realizou a agressão na usp cometeu um erro: não soube adequar sua ação ao público e ao espaço em que estava. Na usp, não se tratava dos corpos que naturalmente são violáveis e assassináveis (pobres e negros), mas sim de estudantes universitários. Ele extrapolou o desrespeito ao ser humano para uma esfera na qual ele ainda não é tolerável: a vida universitária.
No Brasil, desde o descobrimento, sempre existiram esses corpos assassináveis e violáveis, no começo, os índios; depois os negros; na ditadura, os militantes de esquerda; atualmente, os pobres e negros. Esse desrespeito sistemático dos direitos humanos persiste como herança maldita e conduta costumeira do Estado. Enquanto os carrascos da ditadura não forem punidos, os agentes do Estado, incluindo a polícia, não vão respeitar os direitos humanos. Essa conduta não é exceção, ela é regra para determinadas esferas da população. Dizer que a arbitrariedade policial foi o desvio de um individuo é agir de má-fé. Qualquer jovem negro ou pobre sabe que se ele olhar nos olhos do policial durante o "enquadro", ele vai tomar um esculacho, questionar a abordagem então, pode virar desacato e prisão. O policial na usp tratou o jovem em questão como se estivesse na periferia, como se ele não fosse um estudante da USP. Determinadas parcelas da população vivem um estado de exceção, no qual a legalidade é letra morta, e o agente do Estado comete todo tipo de crime e de desrespeito por trás de sua farda.
Como disse um filósofo: A exceção é a regra.
É claro que não se trata de defender o estado de exceção, na periferia ou na usp, ele é terrível e deve acabar.
Outro fato que me marcou muito, são os comentários de aprovação e apoio à violência policial, seja na USP, seja na cracolândia. Em um caso, as pessoas dizem: estudante vagabundo tem que apanhar mesmo, no outro, é muito pior, pois é dito, drogado tem que morrer mesmo. Os marxistas falam: quando o véu da ideologia cair as pessoas vão se livrar desse tipo de pensamento, mas eu sou muito mais pessimista quanto à isso. Estou mais de acordo com o Discurso da Servidão Voluntária. Muitas vezes as pessoas amam à opressão e a tirania que se abate sobre elas. Motivo: porque a democracia e a alteridade são grandes desafios. É muito mais fácil eliminar seu adversário, que ter que conviver e debater com ele. Para quem está de acordo com o atual estado de coisas, um regime autoritário que elimine os adversários é a melhor coisa possível. Por isso, tanta gente com saudades da ditadura. Na ditadura, Bolsonaro não teria que ouvir e debater com os parlamentares do movimento gay, ele simplesmente mandaria todo mundo para o pau de arara.
Enfim, essas são algumas reflexões não sistemáticas, baseadas em um filósofo atual: Giorgio Agambem, acho que a filosofia dele pode ajudar muito a entender o presente. Além dele, também saqueei a leitura do Lefort sobre o Discurso da Servidão Voluntária: o Nome do Um.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
o que resta da ditadura.
O discurso da grande mídia às vezes tenta se justificar. Dentre esses argumentos, um deles especialmente me chamou a atenção. Trata-se da constatação de que os estudantes da USP são uns revoltados com o mundo e que a situação de hoje em dia é incomensurável com a opressão do regime militar, e alias, contra essa última era até aceitável lutar contra.
Em primeiro lugar, tomemos a revolta, o revoltado é uma figura pouco incômoda, porque, no fundo, todos sabem que o mundo como está é muito ruim e que a situação é terrível. Esse argumento não é meu, é um trecho do louvável Elogio à Filosofia, palestra proferida no College de France por Merleau-Ponty. Nesse Elogio, Merleau Ponty fala da Apologia de Sócrates escrita por Platão. Um dos fatos mais chocantes da Apologia é que Sócrates não é um revoltado com a cidade, uma espécie de terrorista niilista, Sócrates ama a cidade, Sócrates afirma proteger a Cidade, Sócrates obedece à cidade, porém Sócrates questiona, portanto, o poder instituído não pode aceitar. Se Sócrates fosse simplesmente um revoltado, a situação seria muito mais fácil de contornar, afinal, todo mundo sabe que o mundo é ruim, o problema é questionar as instituições de maneira séria.
Em segundo lugar, tomemos o ´ponto central, a difícil pergunta: o que resta da ditadura brasileira. Nos dizem que não resta nada, que aconteceu uma quebra de continuidade entre a ditadura e a democracia, que o passado ditatorial deve ser esquecido, que os crimes do Estado brasileiro não devem ser apurados. Contudo, resta muita coisa da ditadura, não houve quebra de continuidade mas sim abertura lenta, gradual e sucessiva. O estatuto da Usp é um zumbi de 1972, ou seja, a universidade se rege pelas leis e códigos instituídos naquela época. O estatuto proíbe manifestação política e religiosa no campus, logo, a tradicional missa de recepção aos calouros não deveria sequer existir.
Quanto à polícia, o caso é um pouco mais grave, a polícia militar é uma criação do regime militar. Alguns dos agentes da polícia militar foram treinados pelo pessoal dos órgãos repressivos da ditadura, o livro “Rota 66” do Caco Barcelos mostra isso. Mais do que isso, os procedimentos da polícia atual são os procedimentos da ditadura militar. O temido esquadrão da morte criou um modelo replicado em muitos outros lugares por policiais, na minha vizinhança, há poucos anos, existiu um esquadrão chamado de Os Highlanders, isso porque as cabeças das vítimas eram decepadas. Além disso, ainda temos a tortura e as violações aos direitos humanos. As torturas ainda são praticadas pela polícia, só que se na ditadura era contra uma classe média de estudantes universitários, agora é contra jovens pobres nas cadeias e febens, o Brasil foi condenado em diversas instâncias internacionais.
O caso da tortura é sintomático do tipo de relação que o Brasil mantém com seu passado. A tortura é algo que vem desde os navios negreiros e do pelourinho, uma prática comum no país, depois da abolição, os torturadores não foram punidos. Veio a ditadura militar, que também usou tortura, e não houve punição. Atualmente, os policiais torturadores também não são punidos, houve caso de gente condenada na OEA, mas absolvida no Brasil. Isso significa que o Brasil é um país que aceita à tortura, que aceita que o Estado torture. Esse é um resto da história colonial, que passa pela ditadura e que desemboca no presente. Outrora, Rui Barbosa destruíra os arquivos da escravidão, há pouco tempo, o supremo impediu que os torturadores fossem punidos. Os mortos insepultos, humilhados e torturados assombram o presente do País. Da ditadura ainda resta a tortura.
Em terceiro lugar, a mídia diz que a luta contra a ditadura era aceitável, mas que hoje em dia, porque a situação é incomensurável, é um absurdo se mobilizar para lutar. Isso é uma hipocrisia sem tamanho, pois como é sabido a grande mídia colaborou com o regime militar.
Voltando à situação da USP. Enquanto existir esse regimento que é um entulho da ditadura. Enquanto houver uma polícia que assassina e tortura, os estudantes vão se indignar. Queremos uma polícia digna, depurada dos torturadores e estupradores da ditadura, que agora mais velhos, ocupam altos postos, queremos uma polícia que entenda que tortura e assassinato são crimes e que o Brasil é um país que investiga e pune torturadores do passado e do presente. Queremos votar para Reitor! Queremos um conselho universitário que respeite a LDB e garanta 30% de representação para funcionários e estudantes. Queremos o fim das perseguições políticas! Por fim, queremos estudar em paz sem a polícia explodindo bombas de gás ao lado da nossa biblioteca.
Rodas é uma pessoa que abusa de estruturas de poder podres, além de derrubar esse reitor, é preciso acabar com essas estruturas.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
reflexões pascalianas
"Mais dans l'esprit de finesse, les principes sont dans l'usage commum et devant les yeux de tout le monde. On n'a que faire de tourner la tête, ni de se faire violence; il n'est question que d'avoir bonne vue" Pascal, Pensées.
Pascal dividiu a inteligência humana entre o espírito de finura e os espírito geométrico. Ambos lidam com princípios diferentes (espécie de axiomas do raciocínio), o espírito de geometria trata de princípios pouco usuais ao ser humano, porém muito claros e grandes (gros), nesse caso é preciso desviar a cabeça da vida comum para enxergar esses princípios. No caso da finura, os princípios estão bem na frente de todos, não é preciso virar a cabeça, o desafio é outro: descriminar, pois os princípios são numerosos e delicados. Eu considero que a verdadeira inteligência é conseguir utilizar finura e geometria de acordo com o momento e o caso.
Entretanto, esse post não é uma reflexão sobre a filosofia de Pascal, mas uma reflexão pascaliana sobre a vida no CRUSP. Expliquemos. Na última sexta feira, fizemos uma festa para comemorar um aniversário e uma formatura no térreo do novo bloco A1 do CRUSP. Segundo me foi dito existia autorização para fazer a festa lá. Contudo, isso não impediu que a "segurança" (de fato, jagunçagem) do CRUSP fosse interferir e proibir a nossa festa. Fomos levados a uma sala do térreo do bloco B (o "quartel" deles), nessa sala discutimos sobre a autorização da festa. Nesse momento do relato, o espírito de finura entra em ação, as vezes é importante conseguir discriminar os detalhes importantes em uma cena ou em uma conversa, entre aqueles detalhes sutis e numerosos sempre é possível encontrar algo de precioso para a interpretação da situação.
Nesse caso um detalhe me chamou muito a atenção. Sobre uma das mesas da sala havia um livro e uma caixa de remédios, infelizmente minha visão não foi boa o suficiente para ver qual era o remédio, se fosse para escrever um conto sobre o ocorrido com certeza seria um antidepressivo ou calmante bem hardcore, mas não se trata de ficção. O detalhe importante é o livro. Se existe algo capaz de despertar minha curiosidade e atenção são livros, não resisti e li o título do livro.
Outro procedimento pascaliano muito interessante são as reviravoltas do pró ao contra. Pascal vai argumentando conosco e fornecendo aos poucos novas perspectivas sobre a verdade, a cada nova perspectiva fornecida, nosso entendimento sobre a situação aumenta e se esclarece. Vou me utilizar desse mesmo expediente:
Primeira reviravolta do pro ao contra: eu esperava que fosse algum livro de auto-ajuda ou de negócios ("como ser feliz" ou "como ficar rico") ou na melhor das hipóteses um livro de concurso público para abandonar enfim aquele cargo autoritário e repressor.
Segunda reviravolta do pro ao contra: Para minha máxima surpresa, descubro que se trata de um livro de Plutarco! E ao lado dele estava a suprema ferramenta do intelectual: o dicionário. Será que se tratava de uma alma irmã que assim como eu se saciava com ardor nas águas límpidas da reflexão filosófica? Será possível que em algum caso ler Plutarco não seja uma coisa ótima?
Terceira reviravolta do pro ao contra: Ao ver o título do livro, enfim, tudo se esclarece: "Como tirar proveito de seus inimigos". Minha ilusão de se tratar de um companheiro na busca do saber filosófico logo se dissipa. Se trata apenas de alguém querendo tirar do proveito de seu inimigo, nesse caso aparentemente: eu...
Ao sair, um dos agentes de segurança deu um leve esbarrão em mim, ao que eu quase cai pois me desequilibrei, ele pediu desculpas logo em seguida.
Assim sendo, eu aprendi uma lição com a ajuda de Pascal, que eu gostaria de dividir com todos os Cruspian@s: os agentes de segurança da Coseas nos consideram como inimigos, portanto, cuidado. Talvez eles sustentem o mesmo discurso ressentido da grande mídia: Baderneiros, Mimados, Desperdiçam o dinheiro público sem estudar. Apenas para esclarecer: as três pessoas que foram conversar com ele: uma advogada recém-formada pela Sanfran (moradora do CRUSP), um professor recém-contratado pelo UEL (morador do CRUSP) e um aluno de doutorado da filosofia (morador do CRUSP). Não somos mimados, não somos baderneiros, não somos inimigos.
Para além dessas reflexões guiadas pelo espirito de finura, gostaria de fazer uma última reflexão política: O bloco A1, assim como o CRUSP é fruto da luta de diversos estudantes, o Coseas apenas administra (mau) nossas conquistas.
Resultado da festa: nada depredado, nada sujo (limpamos todo o local), uma festa memorável com cerveja e churrasco até o meio dia do dia seguinte :)
Gostaria de terminar desejando sucesso ao Jefferson a a Márcia, os dois homenageados da festa.
Abraços a todos.
Wilson.
Pascal dividiu a inteligência humana entre o espírito de finura e os espírito geométrico. Ambos lidam com princípios diferentes (espécie de axiomas do raciocínio), o espírito de geometria trata de princípios pouco usuais ao ser humano, porém muito claros e grandes (gros), nesse caso é preciso desviar a cabeça da vida comum para enxergar esses princípios. No caso da finura, os princípios estão bem na frente de todos, não é preciso virar a cabeça, o desafio é outro: descriminar, pois os princípios são numerosos e delicados. Eu considero que a verdadeira inteligência é conseguir utilizar finura e geometria de acordo com o momento e o caso.
Entretanto, esse post não é uma reflexão sobre a filosofia de Pascal, mas uma reflexão pascaliana sobre a vida no CRUSP. Expliquemos. Na última sexta feira, fizemos uma festa para comemorar um aniversário e uma formatura no térreo do novo bloco A1 do CRUSP. Segundo me foi dito existia autorização para fazer a festa lá. Contudo, isso não impediu que a "segurança" (de fato, jagunçagem) do CRUSP fosse interferir e proibir a nossa festa. Fomos levados a uma sala do térreo do bloco B (o "quartel" deles), nessa sala discutimos sobre a autorização da festa. Nesse momento do relato, o espírito de finura entra em ação, as vezes é importante conseguir discriminar os detalhes importantes em uma cena ou em uma conversa, entre aqueles detalhes sutis e numerosos sempre é possível encontrar algo de precioso para a interpretação da situação.
Nesse caso um detalhe me chamou muito a atenção. Sobre uma das mesas da sala havia um livro e uma caixa de remédios, infelizmente minha visão não foi boa o suficiente para ver qual era o remédio, se fosse para escrever um conto sobre o ocorrido com certeza seria um antidepressivo ou calmante bem hardcore, mas não se trata de ficção. O detalhe importante é o livro. Se existe algo capaz de despertar minha curiosidade e atenção são livros, não resisti e li o título do livro.
Outro procedimento pascaliano muito interessante são as reviravoltas do pró ao contra. Pascal vai argumentando conosco e fornecendo aos poucos novas perspectivas sobre a verdade, a cada nova perspectiva fornecida, nosso entendimento sobre a situação aumenta e se esclarece. Vou me utilizar desse mesmo expediente:
Primeira reviravolta do pro ao contra: eu esperava que fosse algum livro de auto-ajuda ou de negócios ("como ser feliz" ou "como ficar rico") ou na melhor das hipóteses um livro de concurso público para abandonar enfim aquele cargo autoritário e repressor.
Segunda reviravolta do pro ao contra: Para minha máxima surpresa, descubro que se trata de um livro de Plutarco! E ao lado dele estava a suprema ferramenta do intelectual: o dicionário. Será que se tratava de uma alma irmã que assim como eu se saciava com ardor nas águas límpidas da reflexão filosófica? Será possível que em algum caso ler Plutarco não seja uma coisa ótima?
Terceira reviravolta do pro ao contra: Ao ver o título do livro, enfim, tudo se esclarece: "Como tirar proveito de seus inimigos". Minha ilusão de se tratar de um companheiro na busca do saber filosófico logo se dissipa. Se trata apenas de alguém querendo tirar do proveito de seu inimigo, nesse caso aparentemente: eu...
Ao sair, um dos agentes de segurança deu um leve esbarrão em mim, ao que eu quase cai pois me desequilibrei, ele pediu desculpas logo em seguida.
Assim sendo, eu aprendi uma lição com a ajuda de Pascal, que eu gostaria de dividir com todos os Cruspian@s: os agentes de segurança da Coseas nos consideram como inimigos, portanto, cuidado. Talvez eles sustentem o mesmo discurso ressentido da grande mídia: Baderneiros, Mimados, Desperdiçam o dinheiro público sem estudar. Apenas para esclarecer: as três pessoas que foram conversar com ele: uma advogada recém-formada pela Sanfran (moradora do CRUSP), um professor recém-contratado pelo UEL (morador do CRUSP) e um aluno de doutorado da filosofia (morador do CRUSP). Não somos mimados, não somos baderneiros, não somos inimigos.
Para além dessas reflexões guiadas pelo espirito de finura, gostaria de fazer uma última reflexão política: O bloco A1, assim como o CRUSP é fruto da luta de diversos estudantes, o Coseas apenas administra (mau) nossas conquistas.
Resultado da festa: nada depredado, nada sujo (limpamos todo o local), uma festa memorável com cerveja e churrasco até o meio dia do dia seguinte :)
Gostaria de terminar desejando sucesso ao Jefferson a a Márcia, os dois homenageados da festa.
Abraços a todos.
Wilson.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Enfim, algum tempo se passou e muitas coisas aconteceram. em primeiro lugar meu desejo de História se realizou segundo aquela velha máxima: "cuidado com aquilo que você deseja..."
Em segundo lugar, ouvi em praça pública um interessante reflexão feita por um filósofo muito controverso, Heidegger, a reflexão: a dicotomia entre ação e pensamento é uma falsa questão, pois o verdadeiro pensamento é ação efetiva e transformadora e a verdadeira ação é reflexão profunda e crítica. O lugar: acampa sampa, a ocasião: aula pública do "guru" Safatle. No entanto, é muito difícil deixar de me identificar com uma frase do Hesse no jogo das contas de vidro: "Em castália sabíamos tudo de Leibniz e Descartes e nada sobre Luís XIV e Richilieu"
Quanto à História. Tudo começou com o incidente envolvendo três alunos no estacionamento da FFLCH-USP, eu estava lá, tive a oportunidade de receber algumas bombas da polícia. Daí em diante, houve uma escalada nos conflitos que culminaram com a desocupação brutal da reitoria. Eu estava dormindo em meu quarto no crusp, quando acordei com os pedidos de socorro de outros estudantes, ao descer, percebo que os corredores do crusp estão fechados pela polícia, ainda sonolento e tentando entender o que estava acontecendo, escuto uma bomba de gás estourando próximo à mim. Não se trata de descrever minhas vivências pessoais, mas apenas indicar que eu estava presente nesses dois momentos importantes.
Depois disso foi com muito receio e medo que acompanhei todos os comentários raivosos e intolerantes feitos contra os estudantes, desde gente querendo ressuscitar a ditadura e passar por cima com tanque de guerra, até gente condenando os estudantes como vândalos e desocupados. No entanto, poucas pessoas realmente sabem o que acontece na USP, poucas pessoas sabem quais são as verdadeiras pautas do movimento. A fúria fascista dos comentários de facebook e de alguns jornalistas da grande mídia me fizeram lembrar de alguns episódios da história paulista, por exemplo, quando Getúlio radicaliza a ditadura no estado novo e cancela as eleições que estavam marcadas. Os paulistas com medo dos comunistas e dos integralistas foram aumentando os poderes de Getúlio até o ponto dele se constituir ditador. O medo e a miopia dos paulistas sufocou a carreira política de Armando Salles de Oliveira (nome do campus da USP), Armando pretendia ser o candidato dos paulistas nas eleições de 38, mas teve que fugir do Brasil e os paulistas tiveram que padecer a ditadura. Em uma primeira olhada, essa comparação pode parecer radical demais, mas não podemos esquecer que a criminalização dos movimentos sociais é um verdadeiro absurdo, contrário até mesmo ao estado de direito. Os alunos pressos e processados, na invasão da reitoria, dificilmente serão condenados, contudo, a USP abre o precedente para que todos os reitores do país vão às mesas de negociação com o cassetete policial em punhos... Lembrei-me também da declaração do presidente Washigton Luís, último presidente do café com leite, "movimento social é caso de polícia".
O movimento da usp tem três pautas principais:
Fim dos processos políticos contra funcionários e estudantes (ou seja, fim da criminalização dos movimentos sociais, nos estudantes, eles atiraram com balas de borracha, mas no MST, eles atiraram com balas de verdade no terrível massacre de Carájas...)
Democracia e estatuinte na universidade (a usp tem um regimento da época do regime militar que prevê punição para manifestações políticas, além disso, ela possuí um das burocracias mais fechadas e antidemocráticas, apenas uma minoria dos professores vota no reitor e no fim quem decide é o governador)
Discussão de um plano de segurança para a universidade ( A PM de SP é uma das mais problemáticas e violentas do mundo, a segurança no campus pode ser feita de maneira mais efetiva, a universidade pode até mesmo propor novas formas de segurança para a cidade).
Enfim, nem heróis, nem bandidos, os estudantes apenas querem poder participar da gestão da universidade. Se eu posso votar para presidente porque não posso votar para reitor?
Em segundo lugar, ouvi em praça pública um interessante reflexão feita por um filósofo muito controverso, Heidegger, a reflexão: a dicotomia entre ação e pensamento é uma falsa questão, pois o verdadeiro pensamento é ação efetiva e transformadora e a verdadeira ação é reflexão profunda e crítica. O lugar: acampa sampa, a ocasião: aula pública do "guru" Safatle. No entanto, é muito difícil deixar de me identificar com uma frase do Hesse no jogo das contas de vidro: "Em castália sabíamos tudo de Leibniz e Descartes e nada sobre Luís XIV e Richilieu"
Quanto à História. Tudo começou com o incidente envolvendo três alunos no estacionamento da FFLCH-USP, eu estava lá, tive a oportunidade de receber algumas bombas da polícia. Daí em diante, houve uma escalada nos conflitos que culminaram com a desocupação brutal da reitoria. Eu estava dormindo em meu quarto no crusp, quando acordei com os pedidos de socorro de outros estudantes, ao descer, percebo que os corredores do crusp estão fechados pela polícia, ainda sonolento e tentando entender o que estava acontecendo, escuto uma bomba de gás estourando próximo à mim. Não se trata de descrever minhas vivências pessoais, mas apenas indicar que eu estava presente nesses dois momentos importantes.
Depois disso foi com muito receio e medo que acompanhei todos os comentários raivosos e intolerantes feitos contra os estudantes, desde gente querendo ressuscitar a ditadura e passar por cima com tanque de guerra, até gente condenando os estudantes como vândalos e desocupados. No entanto, poucas pessoas realmente sabem o que acontece na USP, poucas pessoas sabem quais são as verdadeiras pautas do movimento. A fúria fascista dos comentários de facebook e de alguns jornalistas da grande mídia me fizeram lembrar de alguns episódios da história paulista, por exemplo, quando Getúlio radicaliza a ditadura no estado novo e cancela as eleições que estavam marcadas. Os paulistas com medo dos comunistas e dos integralistas foram aumentando os poderes de Getúlio até o ponto dele se constituir ditador. O medo e a miopia dos paulistas sufocou a carreira política de Armando Salles de Oliveira (nome do campus da USP), Armando pretendia ser o candidato dos paulistas nas eleições de 38, mas teve que fugir do Brasil e os paulistas tiveram que padecer a ditadura. Em uma primeira olhada, essa comparação pode parecer radical demais, mas não podemos esquecer que a criminalização dos movimentos sociais é um verdadeiro absurdo, contrário até mesmo ao estado de direito. Os alunos pressos e processados, na invasão da reitoria, dificilmente serão condenados, contudo, a USP abre o precedente para que todos os reitores do país vão às mesas de negociação com o cassetete policial em punhos... Lembrei-me também da declaração do presidente Washigton Luís, último presidente do café com leite, "movimento social é caso de polícia".
O movimento da usp tem três pautas principais:
Fim dos processos políticos contra funcionários e estudantes (ou seja, fim da criminalização dos movimentos sociais, nos estudantes, eles atiraram com balas de borracha, mas no MST, eles atiraram com balas de verdade no terrível massacre de Carájas...)
Democracia e estatuinte na universidade (a usp tem um regimento da época do regime militar que prevê punição para manifestações políticas, além disso, ela possuí um das burocracias mais fechadas e antidemocráticas, apenas uma minoria dos professores vota no reitor e no fim quem decide é o governador)
Discussão de um plano de segurança para a universidade ( A PM de SP é uma das mais problemáticas e violentas do mundo, a segurança no campus pode ser feita de maneira mais efetiva, a universidade pode até mesmo propor novas formas de segurança para a cidade).
Enfim, nem heróis, nem bandidos, os estudantes apenas querem poder participar da gestão da universidade. Se eu posso votar para presidente porque não posso votar para reitor?
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
título
Tanto a ideia de criar o Blog como o título surgiram da leitura do livro o "Jogo das Contas de Vidro" de Herman Hesse. Eu demorei dez anos para conhecer esse autor. A biblioteca da escola, na qual cursei o ensino médio, acabara de receber uma grande remessa de livros do governo do estado. Eu, é claro, estava esperando pelo senhor dos anéis, mas, ao ver os outros livros, um deles me impressionou muito pela capa, havia uma águia prussiana sobre um fundo laranja, tratava-se do Demian do Hesse.
Peguei ambos, o Senhor dos Anéis e o Demian, obviamente fiquei decepcionado com o Demian, pois naquele momento estava disposta a ler o Tolkien. Hesse me pareceu demasiadamente pessimista, sombrio e real, é provável que não tenha gostado do livro, não porque ele não tinha nada a me dizer, mas, sim porque ele estava demasiadamente próximo daquilo que eu vivia. Não estava na Europa desiludida do pós-guerra, mas as questões que o livro colocava eram questões pertinentes para qualquer adolescente ocidental, principalmente, para mim que tinha pendores filosóficos e literários.
Eu abandonei a leitura do Hesse inconclusa.
Passaram-se dez anos até que eu pudesse reencontrar o Hesse. Foi assustador ver como mais uma vez, esse autor surgiu exatamente de encontro à tudo o que eu passava e sentia no momento... Uma amiga me indicou o livro com tanta paixão que eu não consegui resistir. O li.
A história de José Servo me fascinou, primeiro por eu estar em uma espécie de mosteiro laico, como o retratado no livro: um doutorado em filosofia do século XVII, minha castália fica na Universidade de São Paulo, segundo, e mais importante, pelo desejo de "História" que o personagem adquire ao longo do livro. Cada vez mais, José sente necessidade de sair de Castália, necessidade de conciliar o mundo da história com seu mosteiro de especulação e pesquisa dedicada.
Além desses dois primeiros pontos, um outro detalhe me chamou a atenção: as contas de vidro. José se tornou o mestre do Jogo de Avelórios, uma espécie de jogo onde temas de diversas áreas de pesquisa eram entrelaçados e expostos. As contas de vidro foram marcadores utilizados nos primórdios do jogo, espécie de característica geral leibniziana.
Essas contas de vidro surgiram para mim não apenas como os marcadores que significavam os saberes humanos mas como os próprios saberes humanos, por um lado, eles são raros e preciosos (as contas ou pérolas), eles são castália; mas, por outro lado eles são frágeis e delicadas (o vidro), eles estão no mundo sujeitos à história e a barbárie, lembremos que o autor vivenciou o período de guerra mundial na Europa.
Essas pérolas de vidro representam os dois mundos: o saber e o evento, o estudo e a ação, a acadêmia e a praça pública. Servo tentou conciliar as duas coisas.
Espero que nesse espaço eu possa escrever algumas pérolas de vidro.
Peguei ambos, o Senhor dos Anéis e o Demian, obviamente fiquei decepcionado com o Demian, pois naquele momento estava disposta a ler o Tolkien. Hesse me pareceu demasiadamente pessimista, sombrio e real, é provável que não tenha gostado do livro, não porque ele não tinha nada a me dizer, mas, sim porque ele estava demasiadamente próximo daquilo que eu vivia. Não estava na Europa desiludida do pós-guerra, mas as questões que o livro colocava eram questões pertinentes para qualquer adolescente ocidental, principalmente, para mim que tinha pendores filosóficos e literários.
Eu abandonei a leitura do Hesse inconclusa.
Passaram-se dez anos até que eu pudesse reencontrar o Hesse. Foi assustador ver como mais uma vez, esse autor surgiu exatamente de encontro à tudo o que eu passava e sentia no momento... Uma amiga me indicou o livro com tanta paixão que eu não consegui resistir. O li.
A história de José Servo me fascinou, primeiro por eu estar em uma espécie de mosteiro laico, como o retratado no livro: um doutorado em filosofia do século XVII, minha castália fica na Universidade de São Paulo, segundo, e mais importante, pelo desejo de "História" que o personagem adquire ao longo do livro. Cada vez mais, José sente necessidade de sair de Castália, necessidade de conciliar o mundo da história com seu mosteiro de especulação e pesquisa dedicada.
Além desses dois primeiros pontos, um outro detalhe me chamou a atenção: as contas de vidro. José se tornou o mestre do Jogo de Avelórios, uma espécie de jogo onde temas de diversas áreas de pesquisa eram entrelaçados e expostos. As contas de vidro foram marcadores utilizados nos primórdios do jogo, espécie de característica geral leibniziana.
Essas contas de vidro surgiram para mim não apenas como os marcadores que significavam os saberes humanos mas como os próprios saberes humanos, por um lado, eles são raros e preciosos (as contas ou pérolas), eles são castália; mas, por outro lado eles são frágeis e delicadas (o vidro), eles estão no mundo sujeitos à história e a barbárie, lembremos que o autor vivenciou o período de guerra mundial na Europa.
Essas pérolas de vidro representam os dois mundos: o saber e o evento, o estudo e a ação, a acadêmia e a praça pública. Servo tentou conciliar as duas coisas.
Espero que nesse espaço eu possa escrever algumas pérolas de vidro.
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